(enviado pelo leitor Flávio)
O marketing purpurina
Luciano Pasqualini
Sim, o São Paulo F.C. vive um bom momento e possui uma boa administração, mas como sabemos a mídia exagera nesta “rasgação de seda”. A última cena é a do “batismo tricolor” evocando o “vira-casaca” de torcedores rivais, que a mídia divulga como se fosse uma cartada magistral de marketing, sem qualquer avaliação mais crítica. Ainda bem que a mídia está mudando de mãos, e hoje o torcedor se informa mais pelos blogs e e-mails que por jornais. Vamos aos fatos:
O Fracasso
O SPFC criou este projeto em 26/08/2006 [a data lembra algo ?]. O projeto informa [ainda hoje] que o batismo é realizado aos sábados, com no máximo 20 crianças. Pois bem, em 70 semanas desde seu lançamento, 60 delas não houve a cerimônia por falta de quórum … e houveram apenas 10 cerimônias, uma delas num brinde aos associados, ou seja, menos de 200 Pais são paulinos se dispuseram a pagar os R$ 120,00 propostos pelo Marketing tricolor.
O Tiro no Pé
Para salvar o projeto, o diretor de marketing veio com esta bravata, de que se um torcedor assinar um documento dizendo que era torcedor rival e virou sãopaulino, poderá fazer o batizado de graça, ou seja, receberá o kit composto por uma camisa + 2 fotos + 1 DVD do batismo + 1 botom + 1 vaso com grama do morumbi [outro fracasso, com os restos distribuídos neste pacote].
Resultado previsível: Torcedores sãopaulinos que não tinham recursos para participar, ou achavam caro demais, poderão assinar este documento [é prometido o sigilo das informações], e assim receberá de graça o kit. Em semanas vão divulgar grande procura [ponto positivo], mas não terão nenhum resultado prático de conversão [ponto negativo], terão prejuízo com todo mundo querendo kit de graça [ponto negativo] e vão acabar de enterrar o projeto [ponto negativo].
Virou uma vez…
Ainda que tivesse algum sucesso [o que não acredito], quem vira-casaca uma vez, vira novamente no futuro, ou seja, estariam montando uma base de torcedores fiéis ao momento.
Ética e Caráter
O clube ajuda a vender e incentivar um conceito de ética e caráter que o define, ou seja, se o momento for ruim, “abandone o barco”. Esta é a mensagem subliminar da ação proposta pela sua direção de marketing, totalmente deturpada para a formação de caráter e moral de seus seguidores.
* * * Simpatizantes * * *
O clube amplia a fama de torcida que só aparece na boa. Se nos anos 40 a torcida sãopaulina lotava o Pacaembu, nos anos 60 o público sumiu !! Quando disputou a segunda divisão do Paulista de 1991, o Morumbi ficou às moscas … Esta diferença entre eles e as torcidas do Corinthians e Palmeiras, que se aproximam ainda mais do clube nos momentos ruins, se tornam ainda mais apaixonadas, o marketing deles que trabalha com números, não consegue entender … ou melhor, entende mas não consegue reverter. Palestrino e corinthiano é formado em casa, na paixão dos Pais, como identificação familiar de gerações. Resta a alternativa de cooptar os que querem sair do armário.
Vergonha da Segundona ou de ser “Bambi”?
Um dos motes da campanha é a declaração do diretor de marketing, Julio Casares, de que a criança é politicamente incorreta, se sente vulnerável com o time indo mal nas tabelas [segunda divisão no caso do Corinthians], e então prefere associar sua imagem com o vencedor. Há uma verdade nisso, que talvez explique a dificuldade deles em ir além deste ponto, afinal que criança aceita ser chamada de “bambi” o tempo todo. Tem que ter certa afinidade pra não se sentir ofendida, envergonhada, e resolver mudar de Clube…
Julio Cesar Casares
Endeusado por muitos jornalistas, o que poucos sabem sobre o diretor de marketing do SPFC, é que ele é empregador de muitos jornalistas, já foi de outros tantos, e deve ter uma fila de curriculuns ajoelhados pedindo uma oportunidade.
Em 1992, aos 30 anos, ele trabalhava no SBT e se candidatou à vice-prefeito na chapa do chefe, Silvio Santos, pelo PFL [atual DEMO], numa aventura que durou alguns dias … Ficou no SBT até 2004, dizendo que chegariam ao primeiro lugar em alguns anos [como diz hoje no SPFC]. Fracassou, e teria sido demitido em maio de 2004. O SBT quase faliu e hoje luta para se recuperar financeiramente.
De lá foi para a TV Record, na função de Diretor de Planejamento Estratégico, onde hoje divide as funções com o marketing do SPFC.
Escrito por Silvio Romoaldo Jr
Escrito por Silvio Romoaldo Jr
Escrito por Silvio Romoaldo Jr 
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