Falta base às Bases

Para quem vive, respira futebol, é preciso analisá-lo sob várias óticas.

Sob o prisma da paixão, da emoção do torcedor, das reações espontâneas que o futebol provoca no homem ao assistir a uma partida de futebol.

Do ponto de vista business, negócio, os milhões que o futebol movimenta em produtos diretos e indiretos, o marketing.

E o olhar técnico, crítico, este, o mais complicado.

E é ai que a costuma falar e escrever bobagens pensando que entende do assunto.

Mas mesmo tecnicamente, é possível dar alguns pitacos.

Por exemplo, não precisa ser nenhum profundo conhecedor de futebol pra se chegar à conclusão de que a maioria dos atacantes do futebol brasileiro chutam mal, tocam pior ainda, erram passes curtos e não possuem a tal visão de jogo.

Homens defensivos de meio campo então, hoje são raros os volantes clássicos como foram Badeco, Falcão, Clodoaldo, Vampeta e alguns outros.

Meias armadores clássicos, os tais “Joga Bonito” praticamente extintos do futebol. Antigamente cada time tinha seu craque, como foram Ademir da Guia, Dudu, Rivelino, Pedro Rocha, Pita, Ailton Lira, Zenon, Sócrates e tantos outros.

Todos estes sabiam o que fazer com a bola, com ela rolando ou parada, suas cobranças de faltas eram mortais.

Laterais – ou alas – que marcam bem e ao apoiar o ataque são mortais nos cruzamentos, nas assistências, onde é que estão?

E por ai vai.

Acompanhando o que acontece por ai nas inúmeras escolinhas de bola, temos parte destas respostas.

Aquele garoto que nasce com a estrela, com o instinto futebolístico na veia, no corpo e na alma, coisa que acontece em 1 a cada 100 garotos, são raros. 

Os demais, precisam aprender a tocar, passar, chutar, lançar, sincronizar o caminhar com a bola sem olhar para ela e ter a visão panorâmica do campo, saber onde estão seus companheiros bem posicionados para receber a bola ou então o momento de arriscar um drible e uma finalização.

Mas quem ensina isso tudo? Ai é que está.

A grande maioria que vem ensinando essa molecada a jogar bola são esforçados profissionais de educação física conhecedores da teoria e nada de prática.

Nos clubes, raramente se vê craques do passado, estes sim que souberam bater numa bola, conduzi-la com a cabeça erguida, lança-la a mais de 30 metros, chutar com precisão, cruzar com efeito na cabeça do seu atacante ou então marcar com perfeição, roubar a bola sem cometer falta, recupera-la e passa-la com precisão.

Não se vê ou no máximo, são poucos os craques do passado ensinando a molecada, encontrando-os às vezes perdidos por ai, em campos de terra batida, sem a menor condição de treinamento, mesmo assim, fazendo milagres.

Ai estes tais professores de bola, profissionais de educação física, que alternam entre aulas nas escolinhas de futebol e bicos de personal trainer em academias, costumam fazer bobagens, bancando Professor Pardal, transformando meia em lateral, lateral em meia, volante em atacante e atacante em lateral.

O pau nascendo torto, alguns até virando berimbau, mas a maioria, perdendo-se pelo caminho, desistindo da bola ou então se transformando em perebas.

E estes tais perebas, não raramente, de repente surgindo em grandes clubes, chutando mal, passando pior ainda, não conseguindo pensar-jogar bola-mascar chiclete ao mesmo tempo.

E algumas das razões disto, estão descritas acima.

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17 Responses to Falta base às Bases

  1. AndersonII disse:

    Hoje, graças ao lobby de empresários e outros engajados, conseguiram deixar estes podres de rico, e clubes pobres.

    Jogador bateu diferente na bola, já tem dono. Menos o clube.

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  2. Múcio rodolfo disse:

    Permitam-me advogar em causa própria…..O meu filho joga de zagueiro. Ele é titular do sub-17 aqui de Pinda. O ano passado no campeonato da associação paulista foram vice-campeões perdendo a final para o Vila Carolina ai da capital. Talvez alguém aqui do blog conheça. Pinda teve a melhor defesa do campeonato. O meu garoto é rápido, técnico, tem capacidade de antecipação, sabe se colocar….mas tem um grave defeito: não tem a altura exigida pelos treinadores. Há dois anos ele foi cortado do São José por esse motivo. Segundo um colega dele que enfrentou o São José atuando pelo Taubaté, o treinador preferiu dois beques ruins e limitados porque eram altos e não perderiam a tal jogada aérea. A impressão que se tem é que para os técnicos futebol se resume a isso: bola levantada na area. O mesmo que estou dizendo a respeito do meu garoto, foi dito a respeito do Marquinhos. Valeu.

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  3. Emerson disse:

    Infelizmente todos os envolvidos neste processo tem lá sua parcela de culpa, jogadores, treinadores, professores, dirigentes, enfim todos. Se você for em um treino de algum clube grande, verá que os primeiros a irem embora são os mais jovens. E infelizmente a nossa garotada se deslumbra com todo esse glamour que envolve o futebol, e acabamos por formar uma geração de jogadores pop star, não atletas. Ano passado, assistindo a um jogo da 4ª Divisão aqui onde moro em São José dos Campos, ao término da partida, vi alguns jogadores do Primeira Camisa (o time do Roque Júnior) com uma máscara tão grande, mas tão grande que eu pensei que se tratavam dos galáticos do Real Madrid. Infelizmente, desde a base, se valoriza muito a firula, a simulação de faltas, o antijogo e se ensina pouco os fundamentos. Já trabalhei como treinador em uma ONG e ensinava futebol para crianças e adolescentes carentes (uns nem tanto), e gostava muito mais de ensinar as meninas porque elas eram muito disciplinadas. A molecada, quando eu resolvia treinar fundamentos (principalmente passe e condução de bola) fazia tudo com uma má vontade monstruosa, que eu tinha que ameaçar cortar o coletivo para eles fazerem direito. E quando tinha algum jogador que também jogava em escolinha então… era um deus-nos-acuda, porque este dito cujo se sentia o rei da cocada preta e eu percebia que na parte de fundamentos havia uma defasagem muito grande. infelizmente essa é a realidade de muitos destes garotos: são mal-treinados, mal-orientados e mal acostumados. ah, pra finalizar: sou formado em Educação física, não joguei profissionalmente, mas adoraria um dia trabalhar como auxiliar de um ex-jogador, pois sei que aprenderia muito. Vai Corinthians!

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  4. Carlos Roberto disse:

    Eu nao consigo entender se esse tal de Fabio Santos, que disse q começou a carreira nos bambis, teve aprendizado de fundamentos, porque o cara é um zero a esquerda, não é possivel que o pouco q ele mostrou quando iniciou no Timão ja esqueceu.
    E ainda diz que esta começando a ficar esgotado, que porra Tite, tira logo o cara do time e poe o Denner, 10 vezes melhor que ele.

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    • Múcio rodolfo disse:

      Eu defendo uma mescla da “modernidade” com o “tradicional”….Em outros tempos, com o Fábio Santos se delcarando esgotado e exibindo um futebol pífio nos ultimos jogos, ele já teria sido substituído pelo Denner há muito tempo. Se mentalidade atual imperasse em 95, o Silvinho jamais entrariaq no lugar do Daniel porque este era mais experiente, e o mesmo pode de dizer do Kléber em relação ao Augusto em 99. A administração Duailib tinha alguns defeitos -que nos custaram caro-, mas nela a garotada tinha vez e resolvia. Ao mesmo tempo que abria as portas para estrelas como Edilson e Luisão, dava espaço para promessas como Ewerthon, Marques. Eu não quero dizer com isso que defendo a volta dos tempos Duailibianos ou Matheusianos ou Valdemarpirianos. Eu só acho que o que foi bom deve ser copiado. Simples assim.

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  5. Décio Monteiro disse:

    Silvio, ensinar alguém a jogar futebol é mais ou menos como ensinar a dançar. Aprende-se o básico mas chegar a uma perfeição de Carlinhos de Jesus ou mesmo próximo é muito raro.
    Lógico, que se pode dar alguns ensinamentos teóricos, algumas dicas ,alguns conselhos básicos, só que não passa de um certo limite . Esse limite é representado por meia dúzia de jogadores de hoje, os ditos craques. É de se notar também que parece que existe um divisor que poderemos compará-lo a um muro muito alto e sólido. Muitos conseguem alcançá-lo mas só chegam até ali. Outros chegam bem perto e muitos ficam um pouco mais distantes. Esse muro que é instransponível serve como nivelamento, ultrapassá-lo jamais.
    Do outro lado de lá do muro estão esses citados por você:
    Rivelino, Dudu e Ademir da Guia, meus contemporâneos, até Sócrates e Zenon não se esquecendo jamais de Djalma, Didi, Zito,Gilmar , Ele, e “muitos etcéteras “
    Se você perguntar a esses “senhores” quem os ensinou a jogar futebol , obterá distintas respostas, todas elas com a mesma simplicidade ,todavia na sua maioria ,haverão muitas coincidências.
    – Nos campos de várzea, no terrão, na porrada. Brincando quase que o dia todo.
    E terá o complemento da resposta que é mais ou menos isso:
    – o futebol faz parte da nossa vida, a gente já nasceu com a bola no pé, foi o meu PRIMEIRO PRESENTE. Nunca ninguém me ensinou. É coisa nata . O futebol já nasceu “dentro” de nós.
    Ficam algumas perguntas :
    1. Será que o presente de hoje é igual ao de ontem?
    2 .Esse virtuosismo, toda essa habilidade ,qual é a escola que ensina ?
    3. Onde estão os campos de várzea ?
    Não querendo ser pentelho e nem saudosista mas já sendo ,cito aqui um exemplo :
    Aproximadamente até o final dos anos 60 , existiam atrás do campo principal do Nacional, na Marquês de São Vicente ,mais ou menos uns 10 campos disponíveis, SEM CATRACA , meio esburacados, é verdade, mas ali a gente tirava os maiores rachões. É apenas um pequeno exemplo e existiam milhares espalhados por todos os cantos da nossa cidade.
    Hoje quem tem oportunidade de jogar amadoramente, são aqueles com um pouco melhor de condição financeira , já com mais de 18 anos e que podem pagar essas raríssimas quadras alugadas.
    Crianças ? Só aquelas de condomínio , sujeitas a horários estipulados , determinado em regulamentos que os impedem até de jogar com seus melhores amiguinhos. Aí fica difícil, né ?
    Nos anos 60 éramos em 4 milhões e hoje somos em 12 milhões. A população cresceu 3 vezes e os campos desapareceram, viraram ruas e avenidas. É o tal do chamado progresso. Para o futebol brasileiro um retrocesso um verdadeiro inimigo que eliminou a arte de se jogar bola.
    É com isso que temos que conviver !!!

    VAI CORINTHIANS !

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    • Décio Monteiro disse:

      Em tempo :

      além dos campos de várzea, a gente jogava era no meio da rua mesmo. Vejam moro na Pompéia até hoje ,e como sabem aqui é quase só ladeira. Isso era algum empecilho ? Lógico que não !
      O gol era um portão qualquer do lado da rua e do lado contrário outro gol.
      Isso é engraçado e parece até piada :
      “quando aparecia algum carro, todos gritavam :
      Páááára, olha o caaaarro!!!. É lógico que naquela época também existiam os cornos, que furavam o bola de capotão quando caia no seu quintal. Hoje todos eles fazem reunião com o capeta, lá em cima.
      Tempos bons mas de triste recordação do “”faz-me rir”. Mas isso já passou e não interessa mais.

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  6. Paulo Marques disse:

    Silvio, falando especificamente da nossa base, que há tempos não revela um grande jogador, li outro dia que a Diretoria gostaria de montar uma rede de observadores/espioes, porém esbarra no custo.
    Por que não aproveitar então os nossos ex-jogadores, por exemplo pegar um ex-jogador que more em Recife, outro em Porto Alegre, BH, e pagar uma ajudinha de custo ( uns 15.000 paus por mês ). se acharmos uns dez, multiplicado por 15, daria 150.000 contos por mês, o custo de um jogador mediano.

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  7. Luís Carlos disse:

    Concordo em parte.

    Não acho que só porque o cara é formado em educação física é mau professor. E tem que considerar que há ex-jogadores formados em educação física. O Tite é um deles, por exemplo. E tem que considerar também que o formado em educação física é escolhido por alguém do clube. E os ex-jogadores Narciso e Rincón foram demitidos por incompetência. Ou não?

    Acho que os profissionais que têm a incumbência de formar jogadores são escolhidos por conveniência mutretônica e/ou política e os jogadores são escolhidos ou preteridos de acordo com a conveniência mutretônica e/ou política. Não há propósito nenhum em tirar da base o time do futuro do clube. O propósito é vender e ganhar dinheiro.

    Se talento para o futebol fosse genético, além do comércio de jogadores haveria comércio de sêmen de jogador também…

    O fatp é que nunca é levado em conta o mérito. O garoto que não tem estômago pra entrar nesse esquema, ainda que seja um jogador promissor mesmo sem professor nenhum, já sabe de antemão que cedo ou tarde terá que estudar e buscar seu caminho em outra área. E os pré-eleitos não têm a menor intenção em aprender ou se esforçar por algo porque sabem que possuem lugar cativo.

    E o treinador do time principal assina contrato jurando de pé junto que será cego, surdo e mudo. Conhece bem o trabalho e os propósitos da base. Não tem participação nenhuma sobre quem sobe ao profissional e quem não sobe. Sabe que não poderá escalar 100% do time.

    E isso vale pra todo clube, o que indica que não é necessário buscar pangarés em outros clubes porque já os há dentro do próprio. Buscar pangaré em outro clube é assinar atestado de que os pangarés dos outros são melhores que os nossos.

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    • Blog do Silvinho disse:

      O problema nao está a formação em educação física, alias isso é até obrigação

      O problema é não ter intimidade com a aquela coisa redonda chamada de bola

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  8. Isto é realmente um problema no nosso futebol, jogador na base domina cada vez menos os fundamentos, mas além do problema dos profissionais que trabalham com eles, também tem a falta de profissinalismo dos jogadores, pois com 18 anos, varios deles já se acham craques e preferem dedicar o seu tempo a curtir seus carrões do que passar horas a mais no campo depois do treinos para aprimorar suas deficiencias. Trazendo esta realidade para nosso time profissional, é só ver a quantidade de cruzamentos errados dado pelo Fabio Santos, ou a falta de pontaria de TODOS o nossos atacantes.

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  9. Paulo disse:

    Realmente, Silvinho, a condição técnica – não quero nem dizer qualidade – dos nossos jogadores é bastante sofrível ( na verdade, no mundo todo, mas, como sempre nos notabilizamos pelo chamado futebol-arte, com técnicas requintadas de dribles, passes e chutes, por aqui a mudança é mais sentida e lamentada ). Já tive oportunidade de dizer que duas coisas que me irritam profundamente no futebol moderno é lateral chegando na linha de fundo e cruzando pra ninguém no “terceiro pau”, ou por trás do gol ( estilo Fábio Santos e Alessandro ); e atacante que não sabe chutar, que isola a bola, que bate nela com força quando tem que dar com jeito e vice-versa ( estilo Romarinho e, de certa forma, Sheik ). Acho que os professores de educação física têm sua parcela de culpa, sim. Mas em parte a culpa é também da exigência física que existe no futebol atual: convenhamos que antes bastava ter condição técnica e alguma condição física; hoje é preciso primeiro passar no “vestibular” da condição atlética para depois se averiguar a condição técnica ( Arnaldo César Coelho disse recentemente que na sua época um árbitro corria pouco mais de 1/3 do que tem que correr hoje, imagine o jogador de futebol ). Outro fator que tem alguma relevância é a bola, sim, ela mesma. Antigamente ela mal mudava, era mais pesada e feito de material diverso do atual. De uns tempos a esta parte, ela ficou mais leve, mais “aerodinâmica” – supostamente para favorecer a ocorrência de gols -, pode reparar que é mais difícil para qualquer goleiro encaixar uma bola, e as “evoluções” são constantes, ou seja, mal dá tempo de se acostumar com uma e já surge outra. É neste ponto que eu queria chegar: se os outros fatores que mencionei são mais ou menos incontornáveis, o fator-bola pelo menos permitiria aos jogadores uma adaptação constante. Bastaria treinarem mais, coisa que, entretanto, não se dispõem a fazer, pra minha estupefação. P…., a diferença entre uma capacidade de conclusão mais refinada e esses chutes toscos que se repetem todo jogo, para um atacante, pode representar alguns milhões a mais no pé-de-meia desses caras, coisa que fará toda a diferença, a meu ver, no final de uma carreira curta como é a deles. Mas…parece que não tão nem aí. Ora, se não podem fazê-lo por nós, por razões éticas, de respeito para com o torcedor que lhes paga os salários e para com o clube que lhes dá emprego; que fizessem por eles, por seus bolsos. Juro que não entendo essa malemolência e displicência deessa boleirada.

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