Recordar é viver

Revirando o baú da saudade, encontramos grandes momentos vividos.

E como é bom recordar e sentir a prazerosa sensação de orgulho por ter sido testemunha ocular da história, presente ali, de corpo e alma.

Era o meu segundo Corinthians x Santos.

Todos os Romoaldos (e os Romualdos também…) partiram rumo ao distante Morumbi.

Silvio filho, Silvio pai, Vô Dito, Tios Zé e China, todos a bordo da Fuca laranja.

Tínhamos um ritual. Domingo pela manhã, casa da Vó Maria, segundo café da manhã, pãozinho da padaria Lisboa, depois a boa e velha passada na Churrascaria Central, onde pai, tio e vô tomavam a sagrada caipirinha, que eu adorava “chupar o açuquinha do limão” e nem por isso me tornei um alcoólatra, aliás, odeio bebidas, contrariando as teorias dos psicólogos infantis da cultura popular.

Partir pra casa, almoçar, 1 milhão de recomendações dadas pela mãe, antes, durante e depois do almoço, que ninguém ouvia nada, só comia e pensava no trajeto, no jogo.

Naquela época, 1978, partir do Tatuapé ao Morumbi era uma aventura.

No ritual, saíamos 1 e meia de casa – para jogos no Pacaembu a saída era as 2 horas.

Sem ingressos, passar pela casa do tio Zé, no Jabaquara e finalmente, rumo ao Morumbi.

Vários carros pelas ruas com bandeiras corinthianas, eu também tinha a minha, pequena, mas que dava sorte. Abria o vidrinho de trás da Fuca, colocava a bandeirinha pra fora e ia segurando forte para não perde-la ao vento.

Encontrar um lugar pra estacionar, comprar os ingressos, tudo isso muito fácil, muito simples naquela época… só que ao contrário.

Impressiona-me como as dificuldades encontradas para se ir a uma jogo no Morumbi nos anos 70 são as mesmas encontradas 40 anos depois. Mas isso é outro papo.

Ficávamos sempre atrás do gol. Aliás, eram vários rituais até chegar ao jogo, nunca perguntei ao meu pai se era superstição ou simplesmente casualidade.

O Morumbi explodindo de gente, torcidas separadas pela “cordinha”, polícia descendo a borracha nos torcedores mais ousados de um lado e de outro, não saia briga, mas muitas provocações.

O espetáculo da entrada das bandeiras (que diga-se de passagem, conseguiram acabar até com isso no futebol paulista), eu adorava as bandeiras da Camisa 12, com aquele boneco cabeçudinho.

Neste momento já havíamos encontrado alguns lugares, espremidos entre tantos outros torcedores, tendo que segurar a onda da sede e da vontade de fazer xixi, entrada do Corinthians em campo, rojões, festa, alegria.

Sobre o jogo, deixo as imagens.

Depois do jogo, explosão de alegria, espantada a zica em 77, parecia que agora passaríamos a ganhar tudo e de todos.

Amanhã mais um Corinthians e Santos.

É decisão. E em decisão, mais que a técnica, a tática, a estratégia, devem entrar em campo a raça, a garra e a vontade de ser campeão.

Vai Corinthians!

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19 Responses to Recordar é viver

  1. Edilson Coringão disse:

    Silvinho, até quando nossa diretoria vai ficar omissa com relação às sacanagens feitas diariamente contra o Corinthians, seja pela FPF, seja por essa imprensa morfética e anti-corinthiana?!?! Para o jogo de hoje, todo mundo sabia que a escalação desse juiz FDP e o bandeira safado ocorreu com o claro objetivo de nos prejudicar. E aconteceu o obvio, varias faltas invertidas, dois penaltis não marcados e o gol dos lambaris impedido(sim, estava impedido, mas a imprensa fez o “favor” de ignorar e não mostrar a linha de impedimento). Para completar, somos brindados com aquele maldito comentarista da arbitragem, que em TODOS os jogos só enxerga erros a favor do Corinthians, mesmo a imagem mostrando claramente que estamos freqüentemente sendo assaltados. Já passou da hora da nossa diretoria se posicionar e contra-atacar esses vermes que só querem nos prejudicar (porco nero, bambi Marin, jovem pan, gaciba, ESPN, uol, falha s.paulo). Ou estão esperando algum torcedor perder a cabeça e aprontar uma “merda” contra um desses canalhas (o que eu iria adorar!). Sobre o jogo, só tenho uma coisa a dizer: o campeão mundial voltou! Vamos atropelar o boca e levantar a taça naquela caixinha de fósforos.

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  2. Zé Carlos disse:

    Ótimo post e vídeo sensacional (com direito a som do Kraftwerk no meio da matéria).

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  3. Cesar disse:

    Vocês tomaram conhecimento de mais este absurdo contra os 12 torcedores abandonados pelo Governo Brasileiro em Oruro?

    http://vertebrais.blogspot.com.br/2013/05/direitos-humanos-nao-para-os-12.html

    Até quando isso? Eu não vi até hoje uma manifestação sequer da Dilma em favor deles; parece que ela faz de conta que eles não existem!

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    • CARLOS ROBERTO disse:

      Esse caso de omissão do nosso governo está me deixando com nojo dessa Dilma, uma verdadeira marionete.
      Temos que levar esse caso pra Corte Internacional, unico jeito.

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    • Paulo disse:

      Esse é o problema de governos “ideologicamente solidários”, digamos assim: um nunca contesta o outro, por pior que sejam as circunstâncias, nem garantias humanitárias e tratados têm valor, nessas horas ( lembremo-nos de que o Governo Lula entregou às autoridades cubanas dois boxeadores que, ingenuamente, acreditaram que receberiam asilo político no Brasil ), da mesma forma que Vargas um dia entregou Olga Benário Prestes ao Regime Nazista. Prestes, por sinal, dito “cavaleiro da esperança”, que um dia disse que “entregaria o Brasil ao Governo Soviético, se indispensável ao estabelecimento do socialismo em nosso País”. Se esses torcedores corinthianos não forem soltos em breve prazo e puderem no mínimo responder ao processo em liberdade, ainda que em solo boliviano, o Governo Brasileiro – leia-se Dilma Rousseff – deve ser responsabilizado politicamente, não há dúvidas quanto a isso.Essa omissão continuada cheira mal. Aguardemos!

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  4. Nelson disse:

    Este eu estava lá, estadio longe e desconfortavel, mas com amigos participativos na minha vida.http://is.gd/NDPS3R

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    • Paulo disse:

      Como choram esses monocromáticos, hein? Revendo jogos antigos é que nos damos conta da angústia dessa gente, quando nos enfrenta. E olha que o zagueiro dava plenas condições ao Vaguinho, hein? Fosse hoje em dia, com o tira-teima ( ou mesmo sem, com simples câmera lateral ), constataríamos, nesse primeiro gol, uns dois metros do Vagão antes do quarto zagueiro prantista.

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  5. CARLOS ROBERTO disse:

    É Silvinho, recordar é viver.
    E agora vamos escrever um novo capitulo: a derrocada do time da baixada que almeja o tetra.
    Vamos ganhar com certeza: 2×0 !

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  6. João disse:

    Fim dos anos 70, começo dos anos 80.
    Auge dos grandes públicos no longínquo e desconfortável Morumbi (= Salão Para Festas Corinthianas = Morumbambi = Bambinera = Panetone = Morumbicha).
    Públicos de 90 mil, 100 mil eram comuns em clássicos do Corinthians. Público de 60 mil, 70 mil em clássico era considerado fraco. Às vezes, dava 110 mil, 114, até 120 mil pessoas (o recorde de 138 mil pagantes e mais 8 mil menores na segunda partida com a Ponte na final de 77 foi uma exceção, nenhum outro jogo no Morumbicha registro 130 mil pessoas).
    Para quem não se lembra, e por incrível que possa parecer hoje em dia, os maiores públicos eram nos jogos contra o San7os. Pode-se procurar nas estatísticas, nenhum outro clássico registrou tantas partidas com mais de 80 mil pessoas como Corinthians x San7os.
    E, por mais incrível ainda que pareça,´algumas vezes o estádio ficava “pau a pau”, e era o tempo da divisão por cordas, que se ajustavam conforme o número presente de cada torcida…
    O fenômeno se devia ao crescimento da geração pelézista, que fez com que o clube semi-grande da Baixada Santista passasse a ter um número considerável de torcedores, e em idade com grande motivação para frequentar os estádios (assim como se verificou recentemente, mas de modo menos impressionante, com os bambis). Foi, na verdade, uma bolha, que se esvaziou com o tempo, como se percebeu mais tarde, quando o San7os permaneceu como a quarta torcida dentre os paulistas.
    Torcida grande, desde sempre, e fiel, daí a alcunha, só a do Corinthians.

    Amanhã, mais um jogo do Coringão, mais uma final de campeonato (“é decisão, porra!”), mais um capítulo que vai marcar as nossas vidas.

    VAI, CORINTHIANS!

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    • Paulo disse:

      Verdade, principalmente em 1977 e 78, naqueles campeonatos do Metidiéri. Cheguei a ir num Corinthians x Prantos, pasmem, às 11:00 h de domingo, com 123 mil pessoas em La Bambinera.

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  7. Marcos Soares disse:

    Caraca, me deu saudades agora, fazia o mesmo ritual só que com alguns amigos, pegava o metro e descia na Av. Tiradentes para pegar o busão direto ao Morumbi, sem ingresso, arquibancada de cimento, era muito bom, isso já faz 30 anos e aquele estadio continua com acesso horrivel.

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  8. Paulo disse:

    Meu primeiro jogo em um estádio foi em La Bambinera, e contra o Prantos, com Pelé e tudo. Tinha só 8 anos, em 1971, e ficamos na geral, atrás do gol dos vestiários. Só não lembro se foi campeonato paulista ou brasileiro. Não tive o prazer de ver uma vitória – era difícil ganhar dos sardinhas naquela época, embora já nos estertores da era Pelé -, mas também não perdemos, 1 x 1. Inesquecível! Amanhã creio que ganharemos. Espero que o Tite não se contente com um 1×0, pois na Vila Cuspideira é quase certo que seremos roubados, como quase sempre acontece naquele antro. E por o bandeira do triplo impedimento, que esteve afastado, pra bandeirar justamente amanhã, contra o mesmo adversário que ele favoreceu descaradamente naquele jogo, e numa final, diante da nossa torcida, acho que foi uma provocação da FPF, pra não dizer uma irresponsabilidade.

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  9. Ewerton Silva. disse:

    Mudando um pouco de assunto, o jogo de quarta-feira, esse sim mais importante que o jogo contra as sardinhas, fico imaginando como o prof. EmpaTite irá armar o time. E ainda mais, lembro-me de 1990, naquele jogo do Brasil x Argentina, onde um bichado Maradona deu um passe açucarado pro Caniggia fazer 1×0. E jogadores do nível de Careca, Muller e cia tentando virar o jogo com gols de letra. No final, todos sabem o que aconteceu. Trago esse jogo pro presente. O Boca irá entrar com um time bem armado, com 1×0 no placar e um Riquelme armando as jogadas. Portanto, se quisermos passar à próxima fase, somente aquele time operário do ano passado conseguirá tal façanha.

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  10. Múcio Rodolfo disse:

    Eu vivo citando este “showzinho” particular do Clodoaldo para mostrar o quanto os praianos ficam descontrolados quando se sentem prejudicados, ao passo que a gente reclama, mas sem fazer este escândalo todo. Foi naquela fase que o Sócrates começou a engrenar junto com o Palhinha e o Biro-Biro começou a provar que não era um Lero-Lero qualquer. O Corinthians era um dos favoritos a ganhar aquele título.E só não foi por conta do regulamento. No turno decisivo dez clubes estavam divididos em dois grupos de 5 e os 10 clubes jogavam entre si. Classificavam dois em cada chave. O Corinthians ficou em terceiro na dele, atrás do Vila Sonia e do Guarani legítimo (naquela epoca o campeão brasileiro). Na outra chave ficaram o Chiqueirense e o Manjubinha. Só que, se não me engano, naquela fase, o Corinthians somou mais pontos que o Manjubinha. Também pesou muito na nossa eliminação, uma derrota para o Juventus, num jogo que vencíamos por 2×0 e tomamos a virada, com gols de Ataliba (só pra variar) e de Luciano Coalhada, que a gente acabara de dispensar. Mas voltando ao confronto contra o Manjubinha, este jogo foi interessante pra mim porque na época eu morava em São Vicente e ali por ser reduto manjubinhesco o jogo se torna mais importante.
    ————————————————————————————-
    * Antes de pegarmos o Manjubinha na final passamos pelo Chiqueirense (3×0) numa atuação de gala da dupla Sócrates e Palhinha. O time da Turiassu era chamado de ciclone pelo seu técnico Filpo Nunez e o Timão o reduziu a brisa. Depois foi a vez de passarmos pelo Guarani legítimo. Vitória dramática. O Timão fez 2×0, mas deixou o Bugre empatar. Na prorrogação o gol de penalti anotado por Zé Maria. Nesse dia eu ouvi o primeiro palavrão pelo rádio, dito por um dirigente campineiro.

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    • Carlos Amaral disse:

      Múcio, você é a história viva do Corinthians. Impressionante a riqueza de detalhes . Ao que você escreveu, acrescento 3 coisas:
      – O time do Jardim Leonor ganhou uma partida da Francana com um gol de Serginho Chulapa em um impedimento de pelo menos 3 metros.Foi decisivo para nossa desclassificação.
      – O time da Turiassu jogou com extrema má vontade contra o Guarani original para nos prejudicar na classificação(pois é, já faziam isso desde aquela época). No final do jogo a torcida porca comemorou o 0 x 0 .
      – O jogo que poderia ter nos dado a classificação foi contra o Guarani no Morumbi e terminou 0 x 0. Simultaneamente os bambis jogavam no Pacaembu e ganhavam do Botafogo por 2 x 0. Incrível, mas era assim. Jogávamos no estádio maior(deles) e eles no estádio menor por conta da diferença de público, Tempos bem diferentes hoje.

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      • Múcio Rodolfo disse:

        Carlos. Acho que este jogo dos bambis contra a Francana terminou 1×1 e o gol de empate deles foi no finalzinho. Este jogo foi televisionado num sábado na extinta TV Tupi. Quanto ao Chiqueirense isto deve ter acontecido mesmo, pois no dia em que ele encontrou o Guarani legítimo, ele se encontrava numa posição confortável na tabela, podendo se dar ao luxo de jogar fora um ponto (naquela época vitória valia 2 pontos). Na época com 12 anos, no entanto, eu acreditava que o time daTuriassu havia se esforçado barbaridade para conseguir este empate diante do Bugre, afinal de contas os campineiros os havia derrotado nas duas partidas da decisão do brasileirão, nas duas partidas válidas pela Cucaracha e nas duas partidas do primeiro turno do campeonato paulista. Quanto ao jogo no Morumbi, todos os clássicos e jogos importantes eram ali. E os tempos são diferentes agora por culpa da arrogância dos vilasonianos.

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    • Edilson Coringão disse:

      Sobre essa derrota de virada para o juventus por 2×3, tivemos um gol claramente legal anulado (acho que do Biro-Biro). Esse empate (ou possível virada) nos classificaria. Claro que ninguém da imprensa ficou anos esperneando por causa desse “erro”. Para vermos como as coisas não mudaram desde aquela época…

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  11. italiano disse:

    ..que historia maravilhosa ,troquei os nomes das pessoas pelos da minha familia , e vi que nossa infancia foi parecida Silvião…

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